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19.1.14

A China em Londres ?


Depois de aqui ter anunciado o encerramento do Cinema Londres, em Lisboa, é com tristeza que me atrevo a pré-anunciar, (adivinhar?), desta vez o fim quase certo deste histórico cinema da capital. Mais uma vez, e tal como havia sucedido com o seu encerramento, o Londres volta a ser notícia de telejornal pelas piores razões. Na viragem de ano de 2013 para 2014, tal soco no estômago, eis que os lisboetas tomam consciência que já se notam obras de demolição no interior do edifício. Pior mesmo foi saber que todo o interior já lá vai e que ali vai nascer mais uma loja 'mega china' ou 'hiper china', como preferirem. Pensei logo para com os meus botões: "Boa pá! Estávamos mesmo a precisar de uma loja dessas em Lisboa! Temos poucas assim por cá!" 
Nas reportagens da TV lá aparece um dos proprietários justificando-se com o facto de ninguém ter apresentado propostas concretas para manter a componente cultural do espaço. Quando confrontado com uma suposta proposta de uma empresária da mesma zona da Av. de Roma, que se queixou que nem esperou pela mesma abraçando imediatamente os euros vindos do oriente, justificou-se que quando se deu o encerramento não receberam nenhuma proposta concreta ou exequível. Eh pá, é impressão minha ou tão pouco tempo entre encerramento e demolição leva a crer que o negócio da China já estaria apalavrado? Piada mesmo tem a declaração dos proprietários quando dizem que ainda não é tarde para voltar atrás e que ali pode perfeitamente nascer um novo espaço cultural. Sou só eu a pensar que só quem for burro é que agora depois de tudo escavacado vai gastar resmas de dinheiro a reconstruir as salas para voltar a pôr tudo no sítio, quando podia apenas gastar o suficiente para manter o espaço? Meus amigos, a realidade é dura mas apenas me resta dizer: Cinema Londres 1972 - 2014 - Paz à sua alma. 

Fonte: Reportagem da RTP do dia 13.01.2014. Link: aqui

30.7.13

O Fim de uma Era - Capítulo 4 - O Colapso da Castello Lopes


Em 2009, quando publiquei o post relativo ao cinema Londres, as suas duas salas viviam um período de prosperidade, com público assíduo e fiel. Era dos últimos cinemas de bairro que resistia à era dos centros comerciais e o único a fazer concorrência directa em termos de programação. Em 2013, o cenário alterou-se de forma radical. O país assistiu através dos telejornais, de forma incrédula, ao anunciar do colapso da mítica distribuidora cinematográfica Castello Lopes. Para evitar o colapso total, a empresa decidiu encerrar a maior parte das salas de cinema mantendo apenas aquelas que não tinham concorrência direta na localidade onde se situavam ou as que mantinham um lucro razoável. De forma quase inevitável, os lisboetas viram-se, assim, privados de mais um cinema histórico. Para já o Londres mantém as portas fechadas, veremos o que o futuro lhe reserva.

27.7.13

O Fim de uma Era - Capítulo 3 - O Novo Capitólio


Quando aqui falei do Capitólio, em 2009, o seu futuro era aínda incerto. Muito se falava do famoso projeto de Frank Gehry para reabilitar o Parque Mayer, projeto esse que viria a ser abandonado devido ao seu elevado custo. A Câmara Municipal de Lisboa optou por requalificar apenas algumas das salas de espetáculos do recinto, com projetos individuais para cada uma, pondo de lado a ideia de uma requalificação do espaço como um todo. Em 2012 arrancaram as obras do que virá a ser o novo Capitólio. A maior parte do edifício original foi demolido, ficando apenas a frente original da fachada, os alicerces e pouco mais. Ali irá nascer um novo espaço dedicado à cultura, prevendo-se a inclusão do cinema na sua agenda. Esperemos para ver se a promessa se cumpre.

21.7.13

O Fim de uma era - Capítulo 2 - A nova vida do Lumiar


As últimas novidades em relação ao cinema Lumiar, referentes ao post aqui publicado em 2009, eram tudo menos animadoras. Na altura, o edifício encontrava-se abandonado desde a segunda metade dos anos 80. Em 2012, e para grande surpresa minha, iniciaram-se obras de requalificação e em 2013 o Lumiar reabriu mas sem sessões de cinema, apenas sessões de culto religioso.

11.7.13

Aula Magna (1961 - Actualidade)


 Plateia da Aula Magna

 Interior da Aula Magna

 Planta da Sala

Fachada do Edifício

(Fotografias retiradas de www.itusozluk.com ; www.lazer.publico.pt ; www.wasp2013.com ; www.aulamagna.pt)

A Aula Magna da Universidade de Lisboa, foi inaugurada em 1961. Este imenso anfiteatro com capacidade para albergar 1653 pessoas, localiza-se no edifício da reitoria. Para além das conferências lá realizadas com regularidade, a sala sempre teve um programa cultural vasto, com concertos de música clássica, rock, pop, teatro, dança, e claro, ciclos de cinema. Os ciclos de cinema remontam ao tempo do surgimento dos cineclubes,  que durante os anos 60 e 70 apareceram um pouco por todo o país. O Cineclube Universitário foi o impulsionador das sessões de cinema junto do público universitário. Durante as décadas de 80 e 90 as sessões de cinema estiveram praticamente arredadas da  programação da Aula Magna, mas atualmente regressaram em força com ciclos contínuos e uma programação de qualidade.

Localização: Alameda da Universidade

8.7.13

Gemini (1984 - 1989)


Torres do Centro Comercial Gemini

(Fotografias retiradas de www.cm-lisboa.pt)

As torres Gemini, que albergam o Centro Comercial com o mesmo nome, foram inauguradas em 1984. Como era frequente em praticamente todos os centros comerciais e galerias da capital durante a década de 80, também o Gemini teve originalmente uma pequena sala estúdio. O cinema Estúdio Gemini, era uma sala de dimensões modestas frequentado principalmente pelos moradores do bairro do Rego e por estudantes das diversas faculdades da Universidade de Lisboa, devido à proximidade da Cidade Universitária. Sobreviveu aos anos 80 mas já não viveu para ver os 90, e no que diz respeito ao próprio centro, encerrou em 2009.

Localização: Rua Sousa Lopes, Lote PQRS

26.2.10

Tivoli (1924 - 1989)


Palco do Tivoli

Vista geral do interior do Tivoli
Interior do Tivoli
Fachada do Tivoli

Cine-Teatro Tivoli

Planta original da sala

Planta actual da sala

(Planta Original retirada do Arquivo Municipal de Lisboa)


O Tivoli foi inaugurado em 1924, sendo concebido pelo arquitecto Raul Lino em estilo clássico como um cinema para elites. Tanto no interior como no exterior do edifício o luxo e o requinte foram sempre imagens de marca. A sua capacidade inicial era de 2100 lugares fazendo dele à data o maior cinema da capital. Localizado numa zona central da cidade em plena Av. da Liberdade naquela que era a nova área elegante da capital, foi durante muito tempo o cinema de referência para os sectores "cultos" da cinefilia, sendo igualmente frequentado por várias personalidades do mundo das artes e da cultura. Em 1930 foi equipado com fonocinema e começou a exibir filmes sonoros. A partir dos anos 60 começou a adquirir um carácter mais popular. Na memória de muita gente ficou o filme "Música no Coração" que lá esteve em exibição durante mais de um ano, o que é um recorde notável. No dia 31 de Agosto de 1989 realizou a sua última sessão de cinema. O Tivoli chegou a ser alvo de uma tentativa de demolição do seu interior, mas felizmente prevaleceu o bom senso e acabou por se proceder ao restauro de todo o edifício respeitando a traça original, no entanto a sua capacidade foi reduzida para 1088 espectadores. Reabriu em 1999 funcionando como teatro mas também recebe regularmente concertos e desde então tem prosperado nesta nova função.

Localização: Av. da Liberdade nº 182

22.11.09

Cine Pátria (1917 - 1980)



Planta da Sala


Cine Pátria

 
(Fotografia e Planta retiradas do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa e do livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa)

 
O Cine Pátria situado no Beato é um dos mais antigos cinemas de Lisboa. Abriu portas em 1917 e exibiu filmes até cerca de 1980 sendo posteriormente aproveitado para outras actividades. Actualmente serve de espaço para celebrações religiosas. Tinha capacidade para 447 espectadores. Quem o quiser encontrar não terá grande dificuldade porque tem os soldados da paz mesmo ao lado a guardá-lo bem :-). O positivo é mesmo o facto de pelo menos terem restaurado o edifício e preservarem o essencial da traça original. O meu avô nasceu no Beato e foi lá que passou os primeiros anos da sua vida mas nunca me lembrei de lhe perguntar se chegou a ver lá filmes. Assim que puder pego no telefone e pergunto-lhe.

Localização: Rua do Grilo nº 46

21.11.09

Campolide (1924 - 1977)




Planta da Plateia




Planta do Balcão


Fachada do Cinema Campolide



Interior do Cinema Campolide



Cinema Campolide


(Fotografias e Plantas retiradas do Arquivo da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa e do livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa")



Inaugurado em 1924 com o nome de Cinema Tortoise, foi remodelado em 1932, tendo recebido a designação de Campolide Cinema. Tinha capacidade para 441 espectadores e infelizmente já foi demolido privando o bairro de Campolide do único cinema que tinha.



Localização: Rua Leandro Braga nº 15

Olivais (1995-2007)



Torres do antigo Olivais Shopping hoje Spacio Shopping



Inaugurado em 1995 o Olivais Shopping tinha 4 salas de cinema que vieram colmatar uma falta naquela que é a maior freguesia da cidade em termos de área e habitantes. Mas a reestruturação do centro comercial iniciada em Janeiro de 2008 e terminada em Maio de 2009 deu origem a um novo espaço conhecido actualmente como Spacio Shopping, e no novo projecto as salas de cinema ficaram de fora. Tiveram uma vida curta mas deixaram saudades porque daquilo que me recordo tinham os bilhetes mais baratos de Lisboa e para centro comercial as salas nem eram nada más.


Esperemos que o cinema volte aos Olivais brevemente.


Localização: Rua Cidade de Bissau

Amoreiras (1985 - Actualidade)



Torres Amoreiras

Cinemas Amoreiras



Inaugurado a 27 de Setembro de 1985 o complexo das Amoreiras trouxe com ele o primeiro sistema multiplex de salas de cinema dentro de um centro comercial. Com uma oferta de 7 salas de cinema proporcionava filmes para todos os gostos e até dava para fazer compras. A moda pegou e veio para ficar. Este foi o primeiro grande templo da era do consumo em Portugal.



Recentemente vi lá um filme de animação em 3d digital. Esta nova tecnologia nada tem a ver com o 3d de que me lembrava nos filmes mais antigos e tem dado que falar com cada vez mais filmes a sairem nas salas de cinema. O Amoreiras hoje tal como nos anos 80 continua na linha da frente em termos de inovação.



Ah, e já agora, se estão curiosos o filme chama-se "Bolt" :-)



Localização: Av. Eng. Duarte Pacheco

Europa (1958 - 1981)



Planta da Plateia
Planta do Balcão
Cinema Europa-Perspectiva da sala
Cinema Europa-Balcão e Plateia
Cinema Europa-Interior
Cinema Europa-Sala de projecção
Cinema Europa-Exterior
Cinema Europa
Cinema Europa-Bar
Cinema Europa-Fachada

(Fotografias e Plantas retiradas do Arquivo da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e do livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa")


Originalmente erguido nos anos 30, o Europa foi redesenhado pelo arquitecto Antero Ferreira em 1958. Funcionou como sala de cinema até 1981. O Europa funcionou também durante os anos 80 como estúdio de televisão. A sua lotação inicial era de 878 espetadores mas em 1965 após obras que visavam uma maior comodidade da sala viu a sua capacidade reduzida para 804 espetadores. Situado em Campo de Ourique, era a única sala de cinema desse bairro lisboeta. É com grande alegria que recebi a notícia de que o proprietário do imóvel e a Câmara Municipal de Lisboa chegaram a acordo para a recuperação do interior do edifício, uma vez que a fachada exterior permanece praticamente intacta e em estado razoável para um edíficio que está devoluto. Mas a melhor notícia é mesmo o facto do Europa voltar ao activo como sala de cinema! Terá a função de Cine-Teatro com especial atenção ao cinema de animação e peças de teatro infantil. Esperamos então ansiosamente pela concretização do projecto.

Localização: Rua Francisco Metrass nº 28