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14.7.11

Cine-Teatro Salão dos Anjos (1914 - 1933)


Local onde funcionou o Cine-Teatro Salão dos Anjos


O Cine-Teatro Salão dos Anjos foi inaugurado no inicio do século XX. Na primeira década de existência as suas modestas instalações foram utilizadas apenas para representações teatrais. Na segunda década de existência especializou-se no teatro de revista alcançando alguma popularidade. Em 1914 têm inicio as sessões de cinema que com o tempo acabaram por substituir o teatro. O Salão dos Anjos manteve a sua actividade até aos anos 30, na mesma altura em que todas as construções do lado direito da rua foram adquiridas pelo Lisboa Ginásio Clube para aí construir as suas futuras instalações. A fotografia foi tirada numa visita ao local.

Localização: Rua Francisco Lázaro

12.3.11

Casino Étoile (1910 - 1915)


Entrada de acesso ao pátio onde se localizava o Casino Étoile


Antigo Edifício do Casino Étoile


Em 1910, no bairro da Estrela abriu ao público um novo recinto que dividia a sua programação entre as sessões cinematográficas e os espectáculos de variedades. O Casino Étoile localizava-se num edifício simples sem grandes requintes tanto exteriores como interiores, que se localizava no interior de um pátio na Calçada da Estrela. A sala tinha uma lotação de 550 lugares divididos entre plateia e balcão. Em 1915 as exibições cinematográficas cessaram em definitivo dando lugar em exclusivo ao teatro. Com esta mudança também o nome da sala mudaria, passando a designar-se Teatro Estrela. Em 1917 já com nova gerência foi alvo de obras de melhoramento que tornaram o espaço mais confortável e agradável bem como uma nova alteração do nome, desta feita para Salão Teatro de Variedades. Em 1918 o Salão Teatro de Variedades terminou a sua actividade, sendo alguns anos mais tarde o espaço ocupado por uma marcenaria e actualmente é a sede de uma empresa de construção de caixilhos de aluminio. Quem tiver curiosidade em ver o que resta do antigo Casino Étoile, só tem de se deslocar à Calçada da Estrela junto ao Palácio de São Bento e entrar através de um portão com o nº 21 para um pátio onde poderá encontrar o edifício verde do antigo Cine-Teatro.

Localização: Calçada da Estrela nº 21

31.12.10

Cine-Teatro do Rato (1896 - 1907)


Fachada do Antigo Cine-Teatro do Rato

Acesso ao Pátio onde se localizava o Cine-Teatro do Rato

(Fotografias retiradas do Arquivo fotográfico municipal de Lisboa)

Nos primeiros anos de implementação do animatógrafo em Portugal, vários foram os Teatros que aderiram à nova moda. Entre eles encontrava-se o Teatro do Rato cuja existência remonta ao século XIX, mais precisamente a 1880, data da sua inauguração. Este recinto de espectáculos que se localizava num pátio cujo acesso era feito através de um arco situado no Largo do Rato e que ainda hoje existe, funcionou inicialmente como Cabaret e Music-Hall, sendo no início do Século XX convertido em teatro. Em 1900 começaram as projecções cinematográficas no que passou a ser designado como Cine-Teatro do Rato. Ao contrário do que sucedeu noutros teatros, o cinema não obteve o mesmo sucesso o que levou a que apenas um ano depois as peças de teatro tomassem de novo conta daquela sala. Anos mais tarde o próprio teatro acabaria por encerrar. Em 1907 foi consumido por um incêndio. Quem se deslocar hoje ao local entrando pelo Largo do Rato, passando através do arco que dá acesso ao pátio, à sua esquerda pode encontrar o local onde se entrava para o Teatro através de umas portas onduladas.

Localização: Largo do Rato

31.10.10

Salon Rouge (1908 - 1926)


Local onde existiu o Salon Rouge

Na primeira década do séc. XX o sucesso das exibições cinematográficas era tanto que em Lisboa surgiram inúmeras salas espalhadas pelo centro da cidade. O Salon Rouge foi uma delas. O nome pomposo em francês não correspondia de todo ao aspecto da sala que era apenas um salão improvisado sem grandes preocupações de conforto ou requinte. Situado entre o Bairro Alto e o Príncipe Real, conseguiu manter as portas abertas durante quase duas décadas. O seu sucesso deveu-se sobretudo ao facto de para além das sessões normais ter sessões para adultos a partir da meia noite com películas demasiado chocantes para a época. Interessante era o facto de nos programas ser mencionado o seguinte: "Para os males provenientes deste espectáculo há alívio seguro nas casas de caridade próximas"(1). Depois de encerrar foi convertido em garagem assim permanecendo durante várias décadas. Actualmente é uma dependência bancária.

(1) RIBEIRO, M. Felix - 'Os mais antigos cinemas de Lisboa. 1896-1939'. Lisboa: Instituto Português de Cinema; Cinemateca Nacional: 1978, p. 87.

Localização: Rua D. Pedro V nº 105

31.8.10

Cinema Condes (1951 - 1996)


Fachada do Cinema Condes


Edifício do Cinema Condes na atualidade

Fachada do Hard Rock Café Lisboa, antigo Cinema Condes

Planta original da plateia

Planta original dos Balcões


(1ª Fotografia e Plantas retiradas do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa e da Biblioteca Central Municipal de Lisboa)

No início dos anos 50 a Castelo Lopes Filmes, proprietária do Cinema Condes, decidiu dar um passo importante na modernização da sala. O antigo Condes inicialmente concebido como teatro já não se enquadrava nas necessidades dos espectadores de cinema, pelo que foi tomada a decisão de construir um novo Condes no lugar do edifício original. Em 1951 foi inaugurado o novo Cinema Condes, com um novo figurino totalmente diferente do seu antecessor. Destacava-se desde logo o grande ecrã panorâmico e as confortáveis cadeiras em estilo poltrona. Ao contrário da maior parte dos grandes cinemas da época a cortina ao invés de abrir de par em par, era composta por folhos dourados que subiam no início do filme. A sala era composta por plateia, 1º e 2º balcão, num total de 1000 lugares. Durante os anos 50, 60 e 70 gozou de grande popularidade, mas a perda de espectadores para as salas dos centros comerciais durante os anos 80, levou a que fossem realizadas algumas obras de restauro no início dos anos 90. Foram criadas novas zonas de bares, instalado ar-condicionado na sala, bem como inúmeras melhorias técnicas, tendo sido instalado um novo e mais moderno sistema de projecção e de som. O próprio edifício foi restaurado tanto no interior como no exterior. A lotação foi reduzida para 892 lugares com resultados ao nivel da visibilidade e conforto. Estas alterações tiveram o sucesso desejado chamando de volta muito público e durante a primeira metade dos anos 90 o Condes voltou a ter inúmeras sessões esgotadas. Com a crescente desertificação do centro da cidade o Cinema Condes acabaria por ver o seu destino traçado tal como os outros gigantes seus contemporâneos e fechou portas em 1996. Foram muitas as sessões e recordações que guardo daquele que foi o meu cinema preferido quando era miúdo e mais tarde na adolescência. Classificado como imóvel de interesse público, escapou à demolição e após vários anos de indecisão quanto ao seu destino acabou por ser convertido em 2003 no Hard Rock Café de Lisboa, e assim se mantém até aos nossos dias, tendo a fachada original sido preservada.

Localização: Av. da Liberdade nº 2

30.8.10

Benfica (1916 - 1991)


Fachada do Cine Clube de Benfica

Antigo edifício do Cine Clube de Benfica, hoje Junta de Freguesia de Benfica

Interior do Auditório Carlos Paredes, antigo Cine Clube de Benfica

Palco do Auditório

Plateia e Palco

Vista do interior do Auditório Carlos Paredes


(Primeira fotografia retirada do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa)



Inaugurado em 1916, o Cine Clube de Benfica foi a primeira sala de cinema deste bairro lisboeta. Fazia parte dum complexo com várias instalações desportivas e lúdicas pertencentes ao Sport Lisboa e Benfica que nesse ano adquiriu o edifício neo-romântico na Av. Gomes Pereira e terrenos envolventes para aí instalar a sua sede e recintos desportivos. Nas traseiras esteve até 1926 o campo de futebol utilizado pelo clube até este se mudar para o campo das amoreiras. O Ringue de patinagem que ainda hoje existe, é o mais antigo do país e foi onde nasceu o Hóquei em Patins português estando a funcionar desde a sua inauguração em 1914. Actualmente no edifício encontra-se instalada a Junta de Freguesia de Benfica. Em 1992 a sala do Cine Clube de Benfica foi renovada e passou a designar-se Auditório Carlos Paredes, podendo acolher 17o espectadores. O Ringue também sofreu obras de remodelação sendo-lhe acrescentada uma cobertura em forma de pala sobre as bancadas. Aproveitando os terrenos da Quinta de Marrocos onde anteriormente se localizava o velho campo de futebol a junta viria também a construir uma piscina coberta.


Localização: Av. Gomes Pereira nº 17

Império (1952 - 1983)


Vista dos balcões

Vista do segundo balcão

Primeiro balcão

Vista da plateia

Vista geral do interior da sala

Cinema Império

Edifício do Cinema Império na actualidade

Planta original da Plateia

Planta original do 1º balcão

Planta original do 2º balcão

(Fotografias retiradas da coleção fotográfica da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e plantas retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa)

Inaugurado no dia 24 de Maio de 1952, o Cinema Império tornou-se de imediato num ícone da cidade de Lisboa pela sua imponente estrutura. Projectado pelo arquitecto Cassiano Branco, possui plateia, 1º e 2º balcão num total de 1676 lugares, mas o projeto inicial albergava 2326 espetadores o que fazia dele o maior cinema do país. Encaixou na perfeição dentro do grupo de gigantes que surgiu nos anos 50 sendo suplantado em lotação apenas pelo São Jorge e pelo Monumental após a sua lotação ter sido reduzida. Com uma localização previligiada no centro da Alameda D. Afonso Henriques na confluência com a Av. Almirante Reis, teve sempre muito público durante as décadas de 50 e 60, principalmente famílias e casais que aproveitavam para depois das sessões darem um passeio pela Alameda. No início dos anos 70 a abertura de várias salas e o consequente aumento da concorrência levaram a que fosse tomada a decisão de criar uma sala estúdio para assim aumentar a oferta e gerar maiores receitas. Em 29 de Outubro de 1964 surge uma sala Satélite que viria a ocupar o espaço onde anteriormente tinha sido planeado um restaurante, projeto esse que nunca foi concretizado. Esta sala viria a ter o nome de Estúdio e uma capacidade de 250 lugares e teve um sucesso enorme, tendo o investimento sido recuperado em apenas dois anos. O início dos anos 80 e a proliferação das salas nos centros comerciais trouxeram a crise às grandes salas e o Império acabaria por encerrar a sua exploração como sala de cinema a 31 de Dezembro de 1983, embora esporádicamente até ao início dos anos 90 fosse escohido como local para ante-estreias ou uma ou outra exibição relacionada com festivais de cinema. Foi posteriormente comprado pela IURD em 1992 que aí estabeleceu a sua sede e local de culto em Lisboa, e assim se mantém até aos nossos dias.

Localização: Alameda D. Afonso Henriques nº 35

27.8.10

Cine-Teatro Éden (1937 - 1989)


 O Edifício do Cine-Teatro Éden na actualidade
 
Fachada do Cinema Éden

Interior do Éden

Palco do Cine-Teatro Éden

Planta Original da Plateia e 1º Balcão

Planta Original do 2º balcão

(Fotografias e Plantas retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa, e do Arquivo Fotográfico da Fundação Calouste Gulbenkian)


O primeiro projecto para a construcção de um novo Éden foi apresentado em 1929 pela empresa Éden Teatro, e foi assinado por Cassiano Branco.
Cassiano executou duas outras propostas: a primeira, datada de 1930, recupera a memória oitocentista pretendendo uma articulação com a fachada do palácio adjacente; a segunda, de 1931, é um espectacular desenho modernista organizando a fachada numa sucessão de semi-cilindros com mármores e vidros.
Desentendimentos entre Cassiano e o Conde de Sucena impediram a realização deste notável projecto. O que seria finalmente executado foi apresentado à aprovação da Câmara em 16 de Junho de 1933, assinado pelo arquitecto Carlos Dias.
No entanto, apesar de possíveis influências, a obra executada nunca foi reivindicada por Cassiano como sua.
O novo Éden Teatro foi inaugurado no dia 1 de Abril de 1937, com a peça Bocage, numa cerimónia memorável presidida pelo Chefe de Estado Marechal Carmona. Com capacidade para 1554 espectadores era uma das maiores salas da época.
Após a inauguração, o novo Éden apresentaria apenas mais duas revistas. Depois converteu-se definitivamente em sala de cinema com o mérito de ser, no coração de Lisboa, uma referência ao longo de 50 anos.
Durante a Segunda Guerra Mundial o Éden foi o cinema mais concorrido de Lisboa.
Nos anos 80 o esplendor e o brilho do Éden apagaram-se. O Éden projectou o derradeiro filme no último dia do ano de 1989. "Os Deuses Devem Estar Loucos II" fecharam as portas do Éden.
Na melhor sala de cinema dos anos 30 o tempo finalmente parou. Na noite do réveillon, são poucos aqueles que vêm dar uma vista de olhos final. Mesmo assim, a notícia espalhou-se, e houve gente com menos de 20 anos a deslocar-se ao local para tirar fotos de recordação.
Na última noite de 1989, o Éden Teatro estava entregue ainda aos cuidados das mesmas gentes que lhe conheciam todos os cantos. A lágrima ao canto do olho dos funcionários e dos frequentadores assíduos, fazia prever que aquela seria uma passagem de ano diferente.
Explorado pela distribuidora Lusomundo desde 1974, o Éden sobreviveu à sua própria época.
Em 1989 o Éden foi adquirido pelo grupo Amorim, do empresário nortenho Américo Amorim, principal exportador português de cortiças.
Salvar o Éden, preservando a componente essencialmente cultural do velho edifício, foi o compromisso assumido pelo Município Lisboeta.
Este compromisso foi assumido em reunião camarária em 1991, porém, por se tratar de uma declaração de intenções, não foi formulada qualquer calendarização para o efeito.
No final dessa reunião, para a qual fora agendada uma proposta de compra do edifício pelo Município, o presidente da Câmara de Lisboa em exercício, João Soares, disse ter-se verificado “uma manifestação clara de vontade e empenhamento da CML de salvar o Éden".
Os vereadores da CML não chegaram a votar a proposta de compra do edifício aparentemente para evitar que uma quase certa rejeição baseada na falta de capacidade financeira da Câmara.
O Éden abriu portas a Cassiano Branco durante cerca de dois meses, entre Novembro de 1990 e Janeiro de 1991. O pretexto foi uma exposição, dirigida por Henrique Cayatte (um dos maiores defensores da exclusividade cultural do Éden), que questionava o futuro de um edifício carismático em vias de destruição. A exposição foi denominada: Cassiano Branco e o Éden.
A 1 de Outubro de 1996, o IPPAR considerou o edifício como Imóvel de Interesse Público.
O grupo Amorim arregaçou as mangas e começou com o processo de recuperação e remodelação do edifício.
Os arquitectos do novo Éden foram o Francês George Pencreach, e Frederico Valsassina. Desde a compra do grupo Amorim, o Éden viveu uma discussão acesa acerca do seu futuro. Desde as promessas da autarquia para um Éden exclusivamente cultural, até à hipótese do edifício vir a ser um aglomerado de escritórios. O imóvel é hoje ocupado em parte por um hotel de luxo e uma loja do cidadão onde antes chegou a existir uma Virgin Megastore.

Localização: Praça dos Restauradores nº 17

14.8.10

Foz (1914 - 1929)


Interior do Salão Foz

Aspecto do Interior do Salão Foz

(Fotografias Retiradas do Livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa")


Depois de ter sido responsável pela abertura do Salão Chiado e do Salão Central, Raúl Lopes Freire viria a inaugurar a 30 de Novembro de 1914 o Salão Foz. Tal como o seu vizinho Salão Central, estava localizado dentro do complexo do Palácio Foz nos Restauradores, do qual adoptou o nome. Era inicialmente uma sala apenas com lugares de plateia e dedicada em exclusivo ao cinema, mas devido ao número crescente de frequentadores e ao aumento da sua exigência viria a sofrer uma remodelação completa. A 6 de Outubro de 1916 reabre ao público com um assinalável aumento da capacidade dos lugares da plateia e com um novo balcão superior que circundava a sala e onde sobre um dos lados se abriam amplas janelas com vista para o pátio do palácio. A juntar a todas estas alterações a sala passava a ter um palco amplo que lhe permitia receber um leque maior de espectáculos, como representações teatrais e musicais. Desta forma a rentabilização da sala tornava-se muito maior. A 17 de Agosto de 1918 passa a ser arrendado por Arthur Emaúz que já era responsável pela gerência do Chiado Terrasse e do Salão Trindade. Sob a nova gerência o Salão Foz introduziu os espectáculos de variedades na sua programação fazendo deles o seu cartaz principal relegando para segundo plano as exibições cinematográficas, tomando as características de um verdadeiro music-hall. A 29 de Janeiro de 1929 o Salão Foz desaparece tragicamente consumido por completo por um violento incêndio.


Localização: Calçada da Glória nº 9

22.7.10

Coliseu (1897 - 1983)


Fachada do Coliseu dos Recreios

Interior do Coliseu

Planta do Coliseu dos Recreios


O Coliseu de Lisboa, também conhecido como Coliseu dos Recreios é sem dúvida a sala mãe do cinema em Portugal. Apesar de não ter sido concebido originalmente como sala de cinema quando foi inaugurado em 1890, foi desde 1897 em conjunto com o Real Coliseu da Rua da Palma o principal responsável pelo sucesso da 7ª arte nas suas primeiras décadas de existência no nosso país. O carácter de sala multiusos está presente desde a sua inauguração. Com os seus 2447 lugares sentados foi a maior sala do país a exibir sessões de cinema. Em concertos de música rock, circo e outro tipo de espectáculos a sua lotação máxima pode ser alargada até 5700 espectadores. A sua excelente acústica faz com que seja frequentemente escolhido para receber espectáculos de Ópera, Ballet e concertos de música ao longo do ano. Em 1918 a companhia "Lusitânia Filme" tomou conta do Coliseu fazendo das sessões de cinema a sua principal actividade. Com o encerramento da companhia e o aparecimento de um número cada vez maior de salas de cinema espalhadas pela cidade, o Coliseu retomaria alguns anos mais tarde a sua função multiusos. Com o passar das décadas o número de filmes exibidos foi reduzindo cada vez mais. As últimas sessões remontam aos anos 80. No início da década de 90 encerra para obras gerais de modernização e restauro para reabrir em 1994 a tempo de fazer parte da lista de espaços que receberam espectáculos e exposições no âmbito da atribuição do título de "Capital Europeia da Cultura" à cidade de Lisboa.

Localização: Rua das Portas de Santo Antão nº 96

26.6.10

Wonderful (1911-1912)


O Jardim de Inverno na actualidade


Em 1911 os responsáveis pelo São Luiz decidiram realizar sessões de animatógrafo no Jardim de Inverno, nascendo assim o "Wonderful". Apesar da divulgação massiva esta nova sala apenas exibiu filmes durante um curto espaço de tempo. A maior atracção do local era o facto de serem servidos refrescos nos intervalos entre as sessões contínuas. Nos anos 20 e 30 o espaço foi adaptado para passar a funcionar como estúdio de cinema para a realização de filmagens de interiores. Em 1965 após obras de remodelação o Jardim de Inverno foi transformado por completo adquirindo o aspecto que hoje tem.

Localização:Rua António Maria cardoso nº38

24.6.10

Restauradores (1911-1968)


Fachada do Cinema Restauradores

Local onde existiu o Cinema Restauradores


Planta do Cinema Restauradores

(Planta Retirada do livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa"; Fotografia nº1 retirada do livro "Cinemas de Lisboa - Um fenómeno urbano do Séc. XX")

Localizado nos restauradores em pleno coração de Lisboa esta sala de cinema iniciou a sua actividade em 28 de Outubro de 1911. Inicialmente tinha o nome de Salão Chantecler. Os seus proprietários, Júlio Augusto Estevens e António Moreira Gaspar, acabariam mais tarde por mudar o nome da sala para o tornar mais apelativo, passando deste modo a ser designado como Cinema Restauradores. O Cinema Restauradores tinha capacidade para 499 espectadores. Até 1927 os filmes mudos que lá passaram tiveram grande sucesso devido essencialmente a algo que ficou conhecido como fono-cinema e mais popularmente como fitas faladas. A 20 de Dezembro de 1935, ao mesmo tempo que são levadas a cabo obras de remodelação e modernização, assume o nome de Restauradores e assim ficaria conhecido nos próximos 30 anos.
Na década de 60 a sua popularidade tinha diminuído consideravelmente e acabaria por encerrar em 1968, dando lugar a um estabelecimento pertencente à Companhia União Fabril. Actualmente o edifício alberga uma residencial.

Localização: Praça dos Restauradores nº 23

26.2.10

Tivoli (1924 - 1989)


Palco do Tivoli

Vista geral do interior do Tivoli
Interior do Tivoli
Fachada do Tivoli

Cine-Teatro Tivoli

Planta original da sala

Planta actual da sala

(Planta Original retirada do Arquivo Municipal de Lisboa)


O Tivoli foi inaugurado em 1924, sendo concebido pelo arquitecto Raul Lino em estilo clássico como um cinema para elites. Tanto no interior como no exterior do edifício o luxo e o requinte foram sempre imagens de marca. A sua capacidade inicial era de 2100 lugares fazendo dele à data o maior cinema da capital. Localizado numa zona central da cidade em plena Av. da Liberdade naquela que era a nova área elegante da capital, foi durante muito tempo o cinema de referência para os sectores "cultos" da cinefilia, sendo igualmente frequentado por várias personalidades do mundo das artes e da cultura. Em 1930 foi equipado com fonocinema e começou a exibir filmes sonoros. A partir dos anos 60 começou a adquirir um carácter mais popular. Na memória de muita gente ficou o filme "Música no Coração" que lá esteve em exibição durante mais de um ano, o que é um recorde notável. No dia 31 de Agosto de 1989 realizou a sua última sessão de cinema. O Tivoli chegou a ser alvo de uma tentativa de demolição do seu interior, mas felizmente prevaleceu o bom senso e acabou por se proceder ao restauro de todo o edifício respeitando a traça original, no entanto a sua capacidade foi reduzida para 1088 espectadores. Reabriu em 1999 funcionando como teatro mas também recebe regularmente concertos e desde então tem prosperado nesta nova função.

Localização: Av. da Liberdade nº 182

25.2.10

Politeama (1914 - 1990)


Vista do interior do Politeama

Interior do Cinema Politeama

Interior do Politeama

Cine-Teatro Politeama

Fachada do Politeama

Planta original

Planta actual do Politeama

(Fotografias e plantas retiradas do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa e do livro "Cinemas de Portugal")


O Politeama foi inaugurado em 1913 como teatro, mas apenas um ano depois começou a exibir filmes, passando deste modo a Cine-Teatro. A sua capacidade inicial era de 1300 lugares. Em 1928 passou a ser exclusivamente cinema. Passou por sucessivas modernizações mas manteve sempre o estilo clássico. Nos anos 90 Filipe La Féria tomou conta do Politeama levando a cabo grandes obras de restauro e modernização com vista à sua reconversão em teatro. Desde então a sua capacidade foi reduzida para 715 lugares por motivos de segurança e maior conforto. Na sua nova vida como Teatro de musicais, o Politeama tem prosperado e voltou a ter o brilho de outrora.

Localização: Rua das Portas de Santo Antão nº 109