12.12.09

Chiado Terrasse (1908 - 1972)

Interior do Chiado Terrasse


Fachada do Chiado Terrasse na actualidade

Fachada do Chiado Terrasse

Planta Original do Chiado Terrasse


(Fotografia e Planta retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa)


O Chiado Terrasse foi inaugurado a 12 de Junho de 1908. Tinha capacidade para 650 espectadores e inicialmente funcionou como Animatógrafo ao ar livre. Era destinado a um público mais aristocrata, uma vez que os espectadores dispunham de um serviço de restaurante. Transformou-se desde o inicio num sucesso, pelas suas instalações, pelos seus programas, pela sua variedade e pelo êxito do Animatógrafo "falado".
Em 1910, iniciam-se obras de melhoramento na sala, e é construída também uma esplanada. Em 1911, o arquitecto Tertuliano de Lacerda Marques redesenhou a fachada. A partir de 1916 são feitas novas alterações no edifício, dando-lhe o aspecto exterior que manteria até ao seu encerramento, bem como a construção de um pequeno palco, que seria utilizado mais tarde por uma companhia de revista. Em 1921 passou a apresentar também números de variedades. Nos anos 30 foi remodelado internamente, em estilo Art-Deco. Encerrou portas em 1972 e posteriormente foi adquirido por um banco que demoliu por completo os interiores para o transformar num edifício de escritórios.


Localização: Rua António Maria Cardoso

11.12.09

São Luiz (1911 - 1965)

Interior do São Luiz

Planta da Sala

Teatro São Luiz na actualidade

(Planta e Fotografias retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa e do livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa"))


O São Luiz alternou ao longo da sua vida as funções de Teatro e Cinema. Foi inaugurado em 22 de Maio de 1894, tendo então o nome Teatro Dona Amélia. O projecto do arquitecto francês Louis Reynaud, conferiu-lhe um ar "parisiense" e cosmopolita. Localizado no Chiado, que era o centro intelectual e cultural da cidade, foi um sucesso logo de início. A sua lotação para 939 espectadores conferia-lhe estatuto de gigante. As primeiras projecções de animatógrafo lá realizadas datam de 1896 mas só em 1911 começou a partilhar regularmente o cinema com o teatro.
Com a queda da monarquia e fuga da família real em 1910, a sala é rebaptizada, passando então a chamar-se Teatro República.
Em 1914 um incêndio destruiu por completo o teatro. Foi reconstruído pelo arquitecto Tertuliano Marques seguindo a traça original, tendo a sala sido reaberta a 16 de Janeiro de 1916.
Em 1928 o teatro foi novamente remodelado, desta feita para adaptação a cinema, passando a chamar-se São Luiz Cine, tendo estreado com a projecção do filme "Metropolis", de Fritz Lang. Em 1930, foi modernizado, passando a ser o primeiro cinema sonoro de Portugal.
A partir de 1960 o cinema começou a perder público, o que levou ao regresso, sem sucesso, do teatro. Em 1971, já quase sem público, a sala acabou por ser comprada pela Câmara Municipal de Lisboa, passando a ter o nome de Teatro Municipal de São Luís. Inicia-se então um longo período de altos e baixos, em que nenhum projecto cultural consegue trazer à sala a importância de outrora.
Em 1998 é iniciada uma grande obra de remodelação e ampliação do teatro. É remodelada a sala principal, o palco e são criadas novas zonas de apoio - uma sala estúdio, um café-concerto e um restaurante.
Actualmente é um dos principais pólos culturais de Lisboa.

Localização: Rua António Maria Cardoso

8.12.09

Terminal (1977 - 1990)


Estação Central do Rossio

O Terminal situado dentro da estação de comboios do Rossio, teve um breve sucesso durante os anos 70 e 80 juntamente com o centro comercial onde se inseria, mas o público foi diminuindo e com a remodelação da estação acabou por ficar excluído do novo projecto. A sala tinha 295 lugares. 

Localização: Rua Primeiro de Dezembro

Salão Lisboa (1916 - 1972)


Fachada do Salão Lisboa

Salão Lisboa

(Fotografias Retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa)


Representante máximo dos cinemas piolho, o Salão Lisboa abre as suas portas em 1916.
Em 1928, iniciam-se obras de melhoramento no seu interior, como forma de corresponder às exigências do público e ao aparecimento de novas salas.
Em 1932 efectuam-se novas alterações, principalmente na fachada. A sua lotação era de 510 espectadores.
Em 1972, o Salão Lisboa suspende a sua exploração cinematográfica, passando aí a funcionar um armazém de revenda que, no entanto, continuou a manter na frontaria o nome de Salão Lisboa.
O edifício do Salão Lisboa ainda lá está mas toda a zona do Martim Moniz foi alterada e hoje em dia o centro da praça possui quiosques e fontes. Em cada lado da praça encontram-se os Centros comerciais da Mouraria e do Martim Moniz enquanto no topo sul da Praça existe actualmente um Hotel. À volta do Salão Lisboa também tudo mudou, com as demolições de tudo à sua volta. Nada escapou, nem mesmo marcos históricos da cidade como a igreja do Socorro e o Arco do Marquês de Alegrete. É uma sorte o Salão Lisboa ter escapado até hoje à fúria demolidora da modernidade e especulação imobiliária.

Localização: Rua da Mouraria

Estrela (1968 - 1977)


Fachada do Cine Estrela

Cine Estrela na actualidade

( Fotografia nº 1 retirada do Arquivo Municipal de Lisboa)


Ao contrário do que o nome parece indicar, quem quiser encontrar o Cine Estrela não se deverá deslocar ao bairro histórico da Estrela, mas sim à Charneca do Lumiar. Este cinema era mais um dos famosos cinema piolho. Localizado no limite norte da cidade, não sobreviveu para ver o asfalto chegar às estradas da zona nem para ver o início da reabilitação da mesma. O jardim do Campo das Amoreiras mesmo à sua frente foi todo renovado e é um espaço muito agradável para passear. Possui um anfiteatro e um coreto que foi totalmente restaurado. Talvez um dia o edifício emparedado do Cine Estrela seja também ele restaurado e aproveitado como espaço cultural. A 2ª fotografia foi tirada por mim numa breve passagem pelo local.

Localização: Campo das Amoreiras nº 55

7.12.09

Éden Cinema Alcântara (1918 - 1971)


Fachada do Éden

Planta da Sala

Éden Cinema em Alcântara

(Fotografia retirada do Arquivo Municipal de Lisboa)

O Éden de Alcântara nada tinha a ver com o famoso Éden nos Restauradores, como se pode facilmente ver pela fotografia. Este representante dos cinemas piolho servia o público do bairro industrial e fabril de Alcântara, muito antes da zona se tornar centro de atracção nocturna com os seu bares e discotecas. Foi inaugurado em 1918 e a sua lotação era de 568 espectadores. O Éden já não existe assim como as fábricas que se mudaram para zonas fora do centro da cidade.

Localização: Rua do Alvito nº 4

6.12.09

Cinearte (1940 - 1981)


Plateia do Cinearte

Vista Geral do interior da Sala

Balcão do Cinearte

Fachada actual do cinearte

Interior do Cinearte

Fachada do Cinearte

Planta original da sala

Fachada do Cinearte


(Fotografia e Planta retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa, do livro "Cinemas de Portugal" e do Arquivo Fotográfico da Fundação Calouste Gulbenkian)

Da autoria do arquitecto Raul Rodrigues Lima, o Cinearte foi construído em 1940 e é mais um dos gigantes antigos. Tinha capacidade para 929 espectadores e servia maioritariamente o público do bairro de Santos e zona ribeirinha limítrofe. Quando a animação nocturna começou a implementar-se de forma maciça nesta zona sob a forma de bares e discotecas o Cinearte já estava em fase de declínio. Em 1981 encerrou e só em 1990 foi reactivado, mas como sala de teatro, depois de ter sido adquirido pela companhia "A Barraca" que lá actua desde essa altura.Em 1993 construiu-se a Sala 2, segundo um projecto do arquitecto Rui Pimentel, que sacrificou uma parte significativa do espaço interno original.

Localização: Largo de Santos nº 2

Animatógrafo do Rossio (1907 - 1989)


Animatógrafo do Rossio

Animatógrafo do Rossio no ano da sua inauguração em 1907

Fachada do Animatógrafo do Rossio

Animatógrafo do Rossio na actualidade

(Fotografias retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa)


Este antigo cinema é para mim um sério candidato a cinema mais belo da cidade. O Animatógrafo do Rossio abriu as suas portas a 8 de Dezembro de 1907. Foi a primeira sala de cinema em Portugal com expressão arquitectónica qualificada, incluída na chamada Arte Nova curvilínea, da qual é um dos exemplos mais originais e interessantes que ainda existe.
Fica situado junto ao Arco da Bandeira, no Rossio, e possui uma fachada com formas de madeira esculpida e pintada, enquadrando painéis de azulejos figurativos (da autoria de M. Queriol). Ao centro tem a bilheteira e a entrada faz-se pela porta da direita e a saída pela porta da esquerda. Tem lotação para 226 espectadores. Desde a década de 90 que este cinema tem sido utilizado como sex-shop.

Localização: Rua dos Sapateiros nº 229

Paraíso (1904 - Actualidade)

Planta da Plateia

Planta dos Balcões

Fachada do Cine Paraíso


Fachada do antigo Cinema Ideal


Antigo Cinema Ideal


(Fotografias e Plantas retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa e do livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa)


Foi o primeiro salão concebido para a exibição cinematográfica.
No ano de 1904, João Freire Correia adquire um recinto abandonado na Rua do Loreto, inaugurando aí o Salão Ideal.
Entre 1904 e 1908, assistiu-se a um verdadeiro sucesso deste espaço; no entanto, em 1908, começa um período de declínio na frequência do público, em grande parte devido à abertura de novas salas.
Júlio Costa, considerado o primeiro industrial de cinema e responsável pela Empresa Cinematográfica Ideal, adquiriu juntamente com João Almeida, o barracão e anexos do cinema, fundando a empresa Almeida & Costa.
O espaço foi renovado, originando um ambiente mais acolhedor de forma a atrair os espectadores que tinha perdido.
A grande atracção da altura foi a introdução do “cinematógrafo falado”, que consistia num grupo de pessoas que atrás da tela iam fazendo os ruídos e sons adequados ao filme.
O sucesso foi tal que, segundo Júlio Costa, o elevador que ligava o Camões à Estrela, viu-se muitas vezes obrigado a suspender o seu percurso devido à multidão que impedia a sua passagem.
Em 1912, já com a sociedade de Júlio Costa e Carlos Carvalho, efectuaram-se novas obras de remodelação, introduzindo-se também um quarteto que acompanhava os filmes e animava musicalmente os intervalos.
Já com o nome de Cine Camões o espaço dedicou-se ao cinema indiano e depois, com o actual nome de Cine Paraíso, teve um curto período com a programação assegurada pela cooperativa cinema novo (do fantas) até se tornar um dos cinemas porno de Lisboa.

Localização: Rua do Loreto nº 15

Vasco da Gama (1999 - Actualidade)


Fachada do Vasco da Gama

Salas de Cinema do Vasco da Gama

Inaugurado em 1999, o Centro Comercial Vasco da Gama faz parte integrante da nova zona ribeirinha de Lisboa conhecida como Parque das Nações. Com uma população actual de 10 000 habitantes é a zona com maior crescimento demográfico da cidade na última década e surgiu depois da Expo 98. O Centro possui 6 salas de cinema e tem muito movimento devido à sua localização previligiada em termos turísticos e de lazer, e excelente acessibilidade de transportes.

Localização: Av. João Paulo II