14.8.10

Foz (1914 - 1929)


Interior do Salão Foz

Aspecto do Interior do Salão Foz

(Fotografias Retiradas do Livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa")


Depois de ter sido responsável pela abertura do Salão Chiado e do Salão Central, Raúl Lopes Freire viria a inaugurar a 30 de Novembro de 1914 o Salão Foz. Tal como o seu vizinho Salão Central, estava localizado dentro do complexo do Palácio Foz nos Restauradores, do qual adoptou o nome. Era inicialmente uma sala apenas com lugares de plateia e dedicada em exclusivo ao cinema, mas devido ao número crescente de frequentadores e ao aumento da sua exigência viria a sofrer uma remodelação completa. A 6 de Outubro de 1916 reabre ao público com um assinalável aumento da capacidade dos lugares da plateia e com um novo balcão superior que circundava a sala e onde sobre um dos lados se abriam amplas janelas com vista para o pátio do palácio. A juntar a todas estas alterações a sala passava a ter um palco amplo que lhe permitia receber um leque maior de espectáculos, como representações teatrais e musicais. Desta forma a rentabilização da sala tornava-se muito maior. A 17 de Agosto de 1918 passa a ser arrendado por Arthur Emaúz que já era responsável pela gerência do Chiado Terrasse e do Salão Trindade. Sob a nova gerência o Salão Foz introduziu os espectáculos de variedades na sua programação fazendo deles o seu cartaz principal relegando para segundo plano as exibições cinematográficas, tomando as características de um verdadeiro music-hall. A 29 de Janeiro de 1929 o Salão Foz desaparece tragicamente consumido por completo por um violento incêndio.


Localização: Calçada da Glória nº 9

Salão Trindade (1909 - 1923)


Interior do Salão Trindade


(Fotografia retirada do livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa")


O Salão Trindade deve o seu nome à rua na qual se encontrava localizado tal como o teatro com o qual se encontrava paredes meias. Inaugurado em 1909, o Salão Trindade estava instalado entre duas outras salas de grade tradição: o Ginásio e o Trindade. Inicialmente destinado a um público menos exigente, viu-se forçado em 1917 a efectuar obras de modernização para continuar a prender o seu público cada vez mais exigente. Foi levada a cabo a instalação de uma nova cabine e de uma máquina de projecção mais moderna e menos ruidosa. Foram também levadas a cabo obras de remodelação da sala, tornando-a mais cómoda e elegante. Apesar das melhorias significativas o Salão Trindade acabaria por fechar durante os anos 20.

Localização: Rua Nova da Trindade

Cosmopolita (1914 - 1919)


Local onde existiu o Salão Cosmopolita

Planta do Cosmopolita


(Planta retirada do livro "Os Mais antigos Cinemas de Lisboa")

Localizado na Mouraria, o Salão Cosmopolita abriu portas em 1914. Tal como muitos dos cinemas de bairro seus contemporâneos, sobreviveu poucos anos. Os seus 510 lugares eram quase sempre ocupados em exclusivo pelos habitantes daquele bairro histórico da capital. Fechou portas sem chegar a ver nos anos 20, a idade de ouro do cinema mudo.


Localização: Rua da Mouraria

22.7.10

Coliseu (1897 - 1983)


Fachada do Coliseu dos Recreios

Interior do Coliseu

Planta do Coliseu dos Recreios


O Coliseu de Lisboa, também conhecido como Coliseu dos Recreios é sem dúvida a sala mãe do cinema em Portugal. Apesar de não ter sido concebido originalmente como sala de cinema quando foi inaugurado em 1890, foi desde 1897 em conjunto com o Real Coliseu da Rua da Palma o principal responsável pelo sucesso da 7ª arte nas suas primeiras décadas de existência no nosso país. O carácter de sala multiusos está presente desde a sua inauguração. Com os seus 2447 lugares sentados foi a maior sala do país a exibir sessões de cinema. Em concertos de música rock, circo e outro tipo de espectáculos a sua lotação máxima pode ser alargada até 5700 espectadores. A sua excelente acústica faz com que seja frequentemente escolhido para receber espectáculos de Ópera, Ballet e concertos de música ao longo do ano. Em 1918 a companhia "Lusitânia Filme" tomou conta do Coliseu fazendo das sessões de cinema a sua principal actividade. Com o encerramento da companhia e o aparecimento de um número cada vez maior de salas de cinema espalhadas pela cidade, o Coliseu retomaria alguns anos mais tarde a sua função multiusos. Com o passar das décadas o número de filmes exibidos foi reduzindo cada vez mais. As últimas sessões remontam aos anos 80. No início da década de 90 encerra para obras gerais de modernização e restauro para reabrir em 1994 a tempo de fazer parte da lista de espaços que receberam espectáculos e exposições no âmbito da atribuição do título de "Capital Europeia da Cultura" à cidade de Lisboa.

Localização: Rua das Portas de Santo Antão nº 96

26.6.10

Paraíso de Lisboa (1911-1921)


Paraíso de Lisboa

(Fotografia retirada do livro "As Melhores Fotografias da Lisboa Desaparecida")

Antes da Feira Popular, Lisboa teve como seu primeiro parque de diversões um local chamado Paraíso de Lisboa. Localizado na Rua da Palma entre o chafariz do Intendente e o Real Coliseu, este amplo recinto de diversões dispunha de várias barraquinhas de comes e bebes e de um ringue de patinagem, para além claro de um animatógrafo. Foi inaugurado em 1907 e iniciou as sessões de animatógrafo em 1911. Acabaria por encerrar nos anos 20 devido à falta de clientela.

Localização:Rua da Palma

Wonderful (1911-1912)


O Jardim de Inverno na actualidade


Em 1911 os responsáveis pelo São Luiz decidiram realizar sessões de animatógrafo no Jardim de Inverno, nascendo assim o "Wonderful". Apesar da divulgação massiva esta nova sala apenas exibiu filmes durante um curto espaço de tempo. A maior atracção do local era o facto de serem servidos refrescos nos intervalos entre as sessões contínuas. Nos anos 20 e 30 o espaço foi adaptado para passar a funcionar como estúdio de cinema para a realização de filmagens de interiores. Em 1965 após obras de remodelação o Jardim de Inverno foi transformado por completo adquirindo o aspecto que hoje tem.

Localização:Rua António Maria cardoso nº38

24.6.10

Restauradores (1911-1968)


Fachada do Cinema Restauradores

Local onde existiu o Cinema Restauradores


Planta do Cinema Restauradores

(Planta Retirada do livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa"; Fotografia nº1 retirada do livro "Cinemas de Lisboa - Um fenómeno urbano do Séc. XX")

Localizado nos restauradores em pleno coração de Lisboa esta sala de cinema iniciou a sua actividade em 28 de Outubro de 1911. Inicialmente tinha o nome de Salão Chantecler. Os seus proprietários, Júlio Augusto Estevens e António Moreira Gaspar, acabariam mais tarde por mudar o nome da sala para o tornar mais apelativo, passando deste modo a ser designado como Cinema Restauradores. O Cinema Restauradores tinha capacidade para 499 espectadores. Até 1927 os filmes mudos que lá passaram tiveram grande sucesso devido essencialmente a algo que ficou conhecido como fono-cinema e mais popularmente como fitas faladas. A 20 de Dezembro de 1935, ao mesmo tempo que são levadas a cabo obras de remodelação e modernização, assume o nome de Restauradores e assim ficaria conhecido nos próximos 30 anos.
Na década de 60 a sua popularidade tinha diminuído consideravelmente e acabaria por encerrar em 1968, dando lugar a um estabelecimento pertencente à Companhia União Fabril. Actualmente o edifício alberga uma residencial.

Localização: Praça dos Restauradores nº 23

28.4.10

Imperial (1926 - 1972)


Fachada do Cinema Imperial

Planta do Imperial


(Fotografia e Planta retiradas do Arquivo da Biblioteca Municipal de Lisboa e do livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa")

Na primeira metade dos anos 20 abriu em Arroios um novo cinema de bairro com o nome Pathé. No Verão de 1931 são efectuadas obras de beneficiação que incluem uma modernização dos equipamentos e instalação de um sistema sonoro. Desde essa data a sala passou a chamar-se Imperial, nome que recebeu logo de início uma aceitação muito maior por parte dos seus frequentadores. O Imperial tinha capacidade para 772 espectadores. Nos anos 50 com o surgimento das grandes salas o Imperial tinha forçosamente que se modernizar. Em 1958 sofreu importantes obras de modernização e viu a capacidade reduzida para 732 espetadores. Na década de 70 foi tomada a decisão de demolir o edifício e construir outro novo e mais moderno no seu lugar. A nova sala regressou ao nome de origem mas depressa recuperaria o nome Imperial com que os lisboetas sempre se identificaram.

Localização: Rua Francisco Sanches nº 154

6.3.10

Éden Concerto (1899 - 1913)


Fachada do primeiro Cine Teatro Éden

(Fotografia retirada dos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo)

Em Lisboa existiram 4 Édens, 3 deles na Praça dos Restauradores. Actualmente apenas existe um e já não exerce a função de cinema. O primeiro Éden foi inaugurado em 1899 no local onde hoje está o Hotel Avenida Palace. Era consideravelmente mais pequeno que o seus sucessores e não sobreviveu mais do que década e meia.
Localização: Praça dos Restauradores

Éden (1918 - 1928)


Planta do Éden

Antigo Cine-Teatro Éden

(Fotografia e Planta retiradas do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa)


Esta antiga versão do Cine-Teatro Éden ocupava o local na Praça dos Restauradores onde hoje se encontra o actual Éden. Foi inaugurado a 25 de Setembro de 1914 como teatro e a partir de 1918 foi convertido em cinema. Foi projectado segundo os planos do cenógrafo Augusto Pina e tinha uma fachada em estilo clássico que faziam dele um dos edifícios mais belos de Lisboa. O Éden podia acomodar 2000 espetadores aquando da sua inauguração em 1918, mas devido a uma vistoria municipal que detetou vários problemas de segurança, nos anos 20 viu a lotação reduzida para 1622 lugares. No final de 1928 a Inspecção Geral de Espectáculos após uma vistoria ordenou o seu encerramento por motivos de segurança. O Conde de Suceno que era proprietário do imóvel achou que as alterações a serem feitas comportavam mudanças demasiado profundas na estrutura do edifício e custos muito elevados, acabando por se decidir pela demolição do mesmo, com vista à construção de um novo Éden. No entanto só em 1937 quase uma década volvida viria a nascer o novo Éden.

Localização: Praça dos Restauradores