26.12.10

Salão Recreio da Graça (1917 - 1936)


Local onde se encontrava instalado o Salão Recreio da Graça


De todos os bairros de Lisboa, a Graça foi um dos que mais salas de cinema teve ao longo dos tempos, infelizmente hoje em dia só o Salão da Voz do Operário recebe ocasionalmente ciclos de cinema, tendo todas as restantes salas encerrado a sua actividade. Uma dessas salas foi o Salão Recreio da Graça que abriu ao público em 1917. Embora fosse uma sala simples mantinha sempre um aspecto limpo e cuidado. Apesar da comodidade oferecida pela sala, em 1918 o número de público começou a reduzir drasticamente e a empresa responsável pela sua exploração viu-se obrigada a tentar dividir o cartaz entre as sessões de cinema e de teatro para tentar recuperar alguma assistência. No entanto os esforços para manter o Salão Recreio da Graça aberto não surtiram efeito; apenas alguns meses após o seu encerramento o recinto seria adquirido por outra empresa que levaria a cabo melhorias significativas e tornaria o seu interior mais requintado. Assim, a 1 de Março de 1919 reabria o Salão Recreio com o seu novo interior. O investimento feito iria revelar-se compensador passando o recinto a receber uma clientela muito mais assídua e em maior número. O Salão Recreio da Graça iria ainda prolongar a sua actividade até aos anos 30.

Localização: Rua da Voz do Operário

Salão das Trinas (1919 - 1942)


Local onde existiu o Salão das Trinas


Nas primeiras décadas do século XX a enorme popularidade do cinema levou ao aparecimento nos bairros típicos lisboetas de diversas salas de cinema de pequena dimensão. O bairro da Madragoa não foi excepção e também ali iria surgir uma pequena sala de cinema. O Salão das Trinas que devia o seu nome à rua onde se localizava, veio ocupar o espaço onde desde há algum tempo funcionava uma modesta sala de teatro. Após terem sido concluídas as obras de modernização e adaptação da antiga sala de teatro a exibições cinematográficas, em Dezembro de 1919 era inaugurado o Salão das Trinas. No entanto, tal como havia sucedido com a exploração teatral daquele recinto, também a exploração cinematográfica teve uma curta duração. Muito esporadicamente o espaço seria utilizado para exibição de filmes, mas a partir dos anos 40 deixaria de se ouvir falar do Salão das Trinas, desta feita em definitivo, não restando actualmente qualquer vestígio físico da sua existência.

Localização: Rua das Trinas

Cine-Teatro Moderno (1910 - 1918)


Fachada do Cine-Teatro Moderno


(Fotografia retirada do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa)


Na segunda década do século XX foram vários os teatros de bairro que durante alguns anos optaram por passar à exibição cinematográfica. O Teatro Moderno foi um deles, passando a ter a designação de Cine-Teatro. Situava-se no bairro dos Anjos e foi uma bonita e ampla sala de espectáculos preparada para receber todo o tipo de eventos, desde peças de teatro, exibições de filmes, espectáculos musicais e circo. O Teatro Moderno foi construído por iniciativa do antigo actor Santos Júnior tendo sido inaugurado a 12 de Dezembro de 1907. A partir de 1910 o Teatro Moderno iniciou a sua actividade cinematográfica, que se iria prolongar até perto do final da década. No início de 1918 o Teatro Moderno tinha a sua actividade practicamente parada, sendo então vendido e posteriormente demolido nesse mesmo ano. Curiosamente algum do espólio foi comprado por um ferro velho sendo o pano de boca, que era considerado à época um dos mais belos e artísticos, comprado nesse mesmo ferro velho por uma empresa teatral que o colocaria no seu recinto de espectáculos.

Localização: Rua Álvaro Coutinho

21.11.10

Salão Liberdade (1910 - 1920)


Gravura do Antigo Teatro Variedades, sucessor do Salão Liberdade


(Gravura retirada do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa)


A enorme afluência de público às sessões do Salão Ideal, levou o seu proprietário Júlio Costa a tomar a decisão de inaugurar uma nova sala mais ampla e com condições para acolher um maior número de público, e onde pudesse exibir a grande quantidade de filmes que comprara no estrangeiro, visto que o Salão Ideal começava a mostrar-se manifestamente insuficiente para dar vasão a todo o acervo. Assim sendo em 1910 Júlio Costa adquiriu através de arrendamento um recinto com o nome "Music-Hall do Jesué" que devia o nome ao seu proprietário. Loalizava-se em plena Praça dos Restauradores muito próximo do local onde seria construído o Éden Teatro. Após terem sido levadas a cabo algumas obras de beneficiação e modernização do recinto por forma a ser adaptado a sala de cinema, foi inaugurado o novo Salão Liberdade, nome que fazia referência à proximidade à avenida com o mesmo nome. Era um recinto muito maior do que a maioria das salas existentes na época, podendo acomodar mais de 1000 espectadores. A excelente localização e a grandeza e qualidade da sala proporcionaram a Júlio Costa enormes dividendos e um sucesso considerável. Todavia anos mais tarde Júlio Costa foi assediado por Lino Ferreira, que na época era um dos principais homens ligados ao Teatro, e Nandim de Carvalho, o empresário dono do Salão Trindade no Bairro Alto, com o intuíto de o convencerem a suspender a exploração cinematógráfica no Salão Liberdade e converter o recinto em Teatro. Assim sucederia e o Salão Liberdade passaria a chamar-se Teatro Variedades, tendo como principal cartaz o teatro de revista. O teatro passou a ser gerido pela firma Costa, Ferreira e Nandim, Lda. Nos primeiros tempos vários foram os êxitos que por lá passaram, mas apesar disso a administração da empresa foi ruinosa levando ao encerramento do teatro tendo sido o prejuízo inteiramente suportado por Júlio Costa. Crê-se que, algum tempo mais tarde Júlio Costa viria a saber que tudo fora intencionalmente levado a cabo por Nandim de Carvalho com ajuda exterior de Carlos Stella, outra figura ligada à exploração cinematográfica. Não sabemos ao certo até que ponto isto foi averiguado; não obstante, era claro que ambos viam a Empresa Ideal, entidade distribuidora gerida por Júlio Costa, como um concorrente de peso que era necessário afastar. Com o fim do Salão Liberdade e a falência da empresa não só seria menos um cinema a fazer concorrência ao Salão da Trindade que era explorado por Nandim de Carvalho, como Carlos Stella veria a sua distribuição de filmes menos ameaçada. Anos mais tarde quando surgiu o Parque Mayer, um dos teatros do recinto foi baptizado com o nome de Teatro Variedades em homenagem ao antigo teatro de Júlio Costa, responsável pelo sucesso crescente do teatro de revista.

Localização: Praça dos Restauradores

2.11.10

Rossio Palace (1910 - 1914)


Palácio Regaleira, onde se situava o Cinema Rossio Palace

Em 1910, pouco antes da implantação da República abria ao público o cinema Rossio Palace. Situava-se no 2º andar do Palácio Regaleira no Largo de São Domingos em frente à igreja com o mesmo nome a dois passos do Rossio. O Palácio deve o nome ao seu proprietário, o Conde de Regaleira e na época para além do cinema no 2º piso nele se localizava também um Centro Repúblicano que ocupava o 1º piso. Apesar da localização bastante central o Rossio Palace esteve aberto ao público apenas durante 4 anos. Como sucedeu com outras salas de pequenas dimensões suas contemporâneas, era frequente após o final das sessões nocturnas e já a adiantadas horas da noite a exibição de filmes pornográficos. Apesar do cinema já não existir o palácio ainda lá está para quem o quiser apreciar, em excelente estado de conservação com uma fachada bastante cuidada.

Localização: Largo de São Domingos nº 15

31.10.10

Salon Rouge (1908 - 1926)


Local onde existiu o Salon Rouge

Na primeira década do séc. XX o sucesso das exibições cinematográficas era tanto que em Lisboa surgiram inúmeras salas espalhadas pelo centro da cidade. O Salon Rouge foi uma delas. O nome pomposo em francês não correspondia de todo ao aspecto da sala que era apenas um salão improvisado sem grandes preocupações de conforto ou requinte. Situado entre o Bairro Alto e o Príncipe Real, conseguiu manter as portas abertas durante quase duas décadas. O seu sucesso deveu-se sobretudo ao facto de para além das sessões normais ter sessões para adultos a partir da meia noite com películas demasiado chocantes para a época. Interessante era o facto de nos programas ser mencionado o seguinte: "Para os males provenientes deste espectáculo há alívio seguro nas casas de caridade próximas"(1). Depois de encerrar foi convertido em garagem assim permanecendo durante várias décadas. Actualmente é uma dependência bancária.

(1) RIBEIRO, M. Felix - 'Os mais antigos cinemas de Lisboa. 1896-1939'. Lisboa: Instituto Português de Cinema; Cinemateca Nacional: 1978, p. 87.

Localização: Rua D. Pedro V nº 105

27.10.10

Salão Chiado (1907 - 1908)


Armazéns do Chiado, local onde existiu o Salão Chiado


No início de 1907 Raul Lopes Freire, filho de um respeitado comerciante lisboeta decidiu investir na sua grande paixão abrindo um animatógrafo. Nascia assim o Salão Chiado, sala que devia o seu nome ao bairro onde se localizava e também ao facto de se encontrar dentro dos próprios Armazéns do Chiado. Era uma sala modesta de pequena lotação mas com uma boa afluência de público que lhe permitiu manter-se sempre numa situação económica estável. Entusiasmado com o sucesso do Salão Chiado, Raul Lopes Freire, decidiu investir na aquisição de uma sala mais ampla e com outro tipo de comodidades. Desta forma seria inaugurado em 1908 o Salão Central. Apesar da abertura da nova sala nos Restauradores, a pequena sala do Chiado continuou aberta à sua clientela habitual sempre com boas performances de bilheteira. Todavia no final de 1908 o seu criador decidiu pôr fim ao curto mas brilhante percurso do Salão Chiado para se dedicar exclusivamente à exploração mais rentável do novo Salão Central.

Localização: Rua Nova do Almada

24.10.10

Salão São Carlos (1907 - 1910)


Local onde existiu o Salão São Carlos

Nos começos de Maio de 1907 abriu portas mais uma sala de cinema no chiado. O Salão São Carlos devia o seu nome à proximidade com o famoso teatro lisboeta. Era à sua época uma bela sala com todas as comodidades e condições de segurança. Possuía várias salas de espera e uma ampla sala de buffet. Os seus proprietários não olharam a despesas e adquiriram o material de projecção mais moderno que existia na época. Durante ano e meio gozou de grande popularidade mas a abertura de novas salas mais amplas e modernas acabaria por ditar o seu encerramento. No seu local esteve durante muitos anos a casa de chá "A Caravela", que viria também a encerrar no início dos anos 90.

Localização: Rua Paiva de Andrade nº 2

20.10.10

Cine-Teatro Joaquim de Almeida (1925 - 1939)


Fotografia do Cine-Teatro no início do Séc. XX

(Fotografia retirada do livro "Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa")

O Cine-Teatro Joaquim de Almeida foi construído graças ao esforço de dois conhecidos actores de teatro dos anos 20: Francisco Judicibus e Casimiro Tristão; que conseguiram com a ajuda de três sócios capitalistas erguer uma excelente sala de espectáculos. Foi escolhido para nome de baptismo o do actor Joaquim de Almeida a quem os seus colegas quiseram prestar homenagem. Inaugurado em 1925, a sua exploração teve sempre sessões de cinema em conjunto com peças teatrais. Era um edifício com uma beleza sóbria tanto no interior como no exterior e com instalações cómodas. Ficava situado na esquina entre a Rua do Sol ao Rato e a Rua de São Bento, virado para a futura Av. Álvares Cabral ainda em início de construção. O terreno era alugado à câmara que ali permitiu a construção de uma sala de espectáculos. Apesar da localização relativamente afastada do que na altura era considerado o centro da cidade e onde se encontravam na época a maior parte das salas de espectáculos, gozou sempre de grande popularidade tanto a nível teatral (por lá passaram grandes nomes do teatro português), como nas sessões de cinema. Nos anos 30 em consequência do alargamento da Av. Álvares Cabral a C.M.L. reclamou os terrenos e posteriormente acabaria por demolir o imóvel alegando um interesse maior que seria o desenvolvimento urbanístico da zona, apesar dos pedidos insistentes por parte das pessoas ligadas às artes para que o mesmo fosse considerado imóvel de interesse público.


Localização: Rua de São Bento

5.10.10

Salão Avenida (1898 - 1901)


Local onde existiu o Salão Avenida

No início do século XX o capitalista Alexandre Mó era um dos homens mais respeitados da alta sociedade lisboeta. Muito desse êxito deveu-se ao facto de ter sido juntamente com Manuel da Costa Veiga o responsável pelo aparecimento da empresa que explorava as exibições de animatógrafo do Coliseu. Um desentendimento entre os dois sócios fez com que Alexandre Mó se separa-se da empresa que tinha ajudado a criar graças ao seu capital, investindo numa nova forma de espectáculo recém criada e que era inédita no nosso país. Decidiu arranjar uma sala exclusivamente para sessões cinematográficas, à qual daria o nome de Salão Avenida por se localizar na Av. da Liberdade, um pouco acima da Rua das Pretas. Tal como outras salas suas contemporâneas teve uma existência curta acabando por encerrar pouco mais de um ano depois de ser inaugurado. No seu local alguns anos mais tarde viria a instalar-se o depósito de Água das Lombardas, mais tarde a Aero-Portuguesa e posteriormente durante muitos anos o café avenida. Actualmente existe no local um edifício de escritórios recentemente inaugurado no qual foi feito o aproveitamento da fachada original.

Localização: Av. da Liberdade