16.7.11

Salão Fantástico (1909 - 1918)


Salão Fantástico

(Fotografia retirada de cinemasparaiso.blogspot.pt)

Um dos mais antigos animatógrafos de Lisboa e do país foi o Salão Fantástico. Inaugurado em 1909, fez sensação devido à sua decoração cuidada e bastante arrojada para a época. O interior da sala tinha uma atmosfera diferente devido essencialmente à decoração do tecto que ostentava estalactites feitas de pasta de papel. Em conjunto com uma iluminação bem conseguida a realçar essa particularidade, o espectador quase que se podia sentir como estando dentro de uma gruta. Em 1915 muda de donos e também de nome, passando a designar-se "Paradis". Um ano depois volta a mudar de empresa exploradora e desta vez passa a chamar-se Salão Rubi. Em 1917 terminam as exibições cinematográficas e o local passa a ser utilizado como teatro recuperando o nome Fantástico. As constantes mudanças de administração devidas a má gestão provocam uma instabilidade que acabaria por ditar o seu encerramento definitivo em 1918.

Localização: Rua do Jardim do Regedor nº 4

14.7.11

Cine-Teatro Salão dos Anjos (1914 - 1933)


Local onde funcionou o Cine-Teatro Salão dos Anjos


O Cine-Teatro Salão dos Anjos foi inaugurado no inicio do século XX. Na primeira década de existência as suas modestas instalações foram utilizadas apenas para representações teatrais. Na segunda década de existência especializou-se no teatro de revista alcançando alguma popularidade. Em 1914 têm inicio as sessões de cinema que com o tempo acabaram por substituir o teatro. O Salão dos Anjos manteve a sua actividade até aos anos 30, na mesma altura em que todas as construções do lado direito da rua foram adquiridas pelo Lisboa Ginásio Clube para aí construir as suas futuras instalações. A fotografia foi tirada numa visita ao local.

Localização: Rua Francisco Lázaro

21.4.11

Cinema Portugália (1954 - 1955)


Edifício sede da Cervejaria-Restaurante Portugália


A cervejaria Portugália é a mais conhecida do país tendo hoje uma cadeia de restaurantes e balcões espalhados um pouco por todo o lado; no entanto, a sua casa mãe que se situa na Av. Almirante Reis continua a ser a mais emblemática. Em 1912 resultando da fusão entre a Fábrica de Cerveja Leão e a Companhia Portuguesa de Cervejas, surge a Fábrica de Cerveja Germânia. A fábrica foi construída nos terrenos da Av. Almirante Reis tendo sido posteriormente acrescentado um balcão de venda ao público. Em 1916 o nome da fábrica é mudado para Portugália, Lda e em 1925 após obras de alargamento surge a cervejaria. Entre as décadas 30 e 50 a cervejaria atinge o auge da sua popularidade tornando-se ponto de encontro de várias personalidades públicas da sociedade portuguesa. Nos anos 50 a cervejaria sofre uma reestruturação profunda com o alargamento do restaurante, a criação de uma sala de bilhar no 1º piso e um terraço no topo do edifício onde funcionou durante algum tempo um cinema ao ar livre. A fábrica foi recentemente demolida restando actualmente apenas a cervejaria e do cinema poucos se recordam.


Localização: Av. Almirante Reis nº 117

Cinema Império (1916 - 1918)


Local onde existiu o Cinema Império-Estefânia


Ao contrário do seu homónimo Cinema Império da Alameda, o primeiro Animatógrafo a ser inaugurado no bairro da Estefânia é hoje uma memória quase perdida no imaginário dos lisboetas. Inaugurado em 1916 o Cinema Império foi apelidado pelos seus proprietários de Cinema da elite. Foi concebido para satisfazer como público alvo a pequena burguesia que compunha a maioria da população do bairro na segunda década do séc. XX. A principal novidade apresentada foi o facto dos primeiros espectadores a comprar os bilhetes com algum tempo de antecedência terem direito a lugar marcado e a receber um programa. Convém recordar que até então não era habitual existirem lugares marcados, sendo os mesmos ocupados aleatoriamente ao ritmo a que os espectadores iam entrando na sala. A julgar pela curta vida que este animatógrafo teve, encerrando dois anos após a sua inauguração, a novidade não foi suficiente para cativar o seu público.


Localização: Rua Pascoal de Melo nº 63

9.4.11

Belém Cinema (1925 - 1943)

Local onde existiu o Belém Cinema

A zona de Belém sempre esteve intimamente ligada à história do cinema em Portugal. Foi lá que foi inaugurado em 1910 o primeiro estúdio cinematográfico do país e de onde durante vários anos saíram a maior parte das produções nacionais. Não é por isso de estranhar que também os animatógrafos e salas de cinema por lá surgissem. Em 25 de Junho de 1925 foi inaugurado o Cinema Belém. Era inicialmente um recinto modesto sem grandes comodidades nem luxos que funcionava num barracão. O seu sucesso crescente permitiu aos seus proprietários anos mais tarde receitas suficientes para erguer no local do antigo barracão um edifício de pedra e cal com condições francamente melhores para receber os espectadores.  A sua lotação situava-se nos 500 lugares. Com o novo edifício veio um novo nome e a sala passou a denominar-se Belém Jardim. A crescente urbanização da zona e o alargamento do bairro de moradias do Restelo acabou por ditar a sua demolição.

Localização: Rua Paulo da Gama

4.4.11

Salão Edison (1919 - 1941)


Local onde existiu o Salão Edison


No início de 1919 a meio caminho entre os bairros de Santa Catarina e da Lapa, mais precisamente no Largo do Conde Barão, foi inaugurado um novo recinto com o nome de Salão Edison. Esta sala de cinema localizava-se dentro de um pátio interior, algo que durante algum tempo esteve na moda como podemos constatar por outros exemplos como o Cine-Teatro do Rato ou o Casino Étoile na Estrela. Apesar da localização recôndita sobreviveu mais tempo do que muitos dos seus conterrâneos, devendo-se tal ao facto de não ter qualquer concorrência próxima. Com efeito durante muitos anos nenhuma outra sala de cinema foi inaugurada nesta parte da cidade. Quem hoje em dia se deslocar ao Largo do Conde Barão, entrando pelo portão com o nº 50 e atravessando um arco, pode ver o amplo espaço de um pátio interior coberto e que hoje em dia funciona como parque de estacionamento mas durante vários anos foi sala de cinema.

Localização: Largo do Conde Barão nº 50

12.3.11

Casino Étoile (1910 - 1915)


Entrada de acesso ao pátio onde se localizava o Casino Étoile


Antigo Edifício do Casino Étoile


Em 1910, no bairro da Estrela abriu ao público um novo recinto que dividia a sua programação entre as sessões cinematográficas e os espectáculos de variedades. O Casino Étoile localizava-se num edifício simples sem grandes requintes tanto exteriores como interiores, que se localizava no interior de um pátio na Calçada da Estrela. A sala tinha uma lotação de 550 lugares divididos entre plateia e balcão. Em 1915 as exibições cinematográficas cessaram em definitivo dando lugar em exclusivo ao teatro. Com esta mudança também o nome da sala mudaria, passando a designar-se Teatro Estrela. Em 1917 já com nova gerência foi alvo de obras de melhoramento que tornaram o espaço mais confortável e agradável bem como uma nova alteração do nome, desta feita para Salão Teatro de Variedades. Em 1918 o Salão Teatro de Variedades terminou a sua actividade, sendo alguns anos mais tarde o espaço ocupado por uma marcenaria e actualmente é a sede de uma empresa de construção de caixilhos de aluminio. Quem tiver curiosidade em ver o que resta do antigo Casino Étoile, só tem de se deslocar à Calçada da Estrela junto ao Palácio de São Bento e entrar através de um portão com o nº 21 para um pátio onde poderá encontrar o edifício verde do antigo Cine-Teatro.

Localização: Calçada da Estrela nº 21

31.12.10

Animatographo de Alcântara (1909 - 1922)


Fachada do Animatographo de Alcântara

Interior do Animatographo de Alcântara

(Fotografias retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa)


Inaugurado em 1909, com o nome de Grande Animatographo de Alcântara foi nos primórdios do cinema em Portugal uma das principais salas não só de Lisboa como do país. Era um dos mais vastos recintos da época embora tivesse instalações bastante modestas. Em 1914 ao mudar de proprietário muda também de nome passando a denominar-se simplesmente Animatographo de Alcântara. Na noite de 8 de Julho de 1918 um curto circuito deu origem a um violento incêndio que destruiu por completo o recinto. O publicista Ludgero Viana que era na época o empresário responsável pela exploração da sala não tinha nada coberto por seguros o que lhe valeu um prejuízo considerável. No entanto a propriedade propriamente dita, que abrangia o terreno e o imóvel, pertencia ao industrial J. Lino e essa estava coberta por um seguro. No final do ano foram iniciadas as obras de reconstrução que foram executadas em tempo recorde permitindo a reabertura ao público em Janeiro de 1919. O Animatographo de Alcântara continuou a sua actividade até 1922, ano em que encerrou em definitivo.

Localização: Av. 24 de Julho nº 174

Cine-Teatro do Rato (1896 - 1907)


Fachada do Antigo Cine-Teatro do Rato

Acesso ao Pátio onde se localizava o Cine-Teatro do Rato

(Fotografias retiradas do Arquivo fotográfico municipal de Lisboa)

Nos primeiros anos de implementação do animatógrafo em Portugal, vários foram os Teatros que aderiram à nova moda. Entre eles encontrava-se o Teatro do Rato cuja existência remonta ao século XIX, mais precisamente a 1880, data da sua inauguração. Este recinto de espectáculos que se localizava num pátio cujo acesso era feito através de um arco situado no Largo do Rato e que ainda hoje existe, funcionou inicialmente como Cabaret e Music-Hall, sendo no início do Século XX convertido em teatro. Em 1900 começaram as projecções cinematográficas no que passou a ser designado como Cine-Teatro do Rato. Ao contrário do que sucedeu noutros teatros, o cinema não obteve o mesmo sucesso o que levou a que apenas um ano depois as peças de teatro tomassem de novo conta daquela sala. Anos mais tarde o próprio teatro acabaria por encerrar. Em 1907 foi consumido por um incêndio. Quem se deslocar hoje ao local entrando pelo Largo do Rato, passando através do arco que dá acesso ao pátio, à sua esquerda pode encontrar o local onde se entrava para o Teatro através de umas portas onduladas.

Localização: Largo do Rato

Gil Vicente (1926 - 1930)


Local onde existiu o Cinema Gil Vicente


O Cinema Gil Vicente foi inaugurado em 1926, numa época em que as salas de cinema proliferavam no bairro da Graça. Era uma sala de pequenas dimensões localizada no 1º andar de um prédio na Rua da Voz do Operário. Curiosamente nunca funcionou como teatro apesar de ter sido baptizado com o nome do principal responsável pela implementação do teatro em Portugal. Sobreviveu poucos anos devido à concorrência de outras salas de maior dimensão e com melhores condições existentes na área. Encerrou no início dos anos 30 sem deixar grandes recordações.

Localização: Rua da Voz do Operário nº 62