6.3.10

Éden Concerto (1899 - 1913)


Fachada do primeiro Cine Teatro Éden

(Fotografia retirada dos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo)

Em Lisboa existiram 4 Édens, 3 deles na Praça dos Restauradores. Actualmente apenas existe um e já não exerce a função de cinema. O primeiro Éden foi inaugurado em 1899 no local onde hoje está o Hotel Avenida Palace. Era consideravelmente mais pequeno que o seus sucessores e não sobreviveu mais do que década e meia.
Localização: Praça dos Restauradores

Éden (1918 - 1928)


Planta do Éden

Antigo Cine-Teatro Éden

(Fotografia e Planta retiradas do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa)


Esta antiga versão do Cine-Teatro Éden ocupava o local na Praça dos Restauradores onde hoje se encontra o actual Éden. Foi inaugurado a 25 de Setembro de 1914 como teatro e a partir de 1918 foi convertido em cinema. Foi projectado segundo os planos do cenógrafo Augusto Pina e tinha uma fachada em estilo clássico que faziam dele um dos edifícios mais belos de Lisboa. O Éden podia acomodar 2000 espetadores aquando da sua inauguração em 1918, mas devido a uma vistoria municipal que detetou vários problemas de segurança, nos anos 20 viu a lotação reduzida para 1622 lugares. No final de 1928 a Inspecção Geral de Espectáculos após uma vistoria ordenou o seu encerramento por motivos de segurança. O Conde de Suceno que era proprietário do imóvel achou que as alterações a serem feitas comportavam mudanças demasiado profundas na estrutura do edifício e custos muito elevados, acabando por se decidir pela demolição do mesmo, com vista à construção de um novo Éden. No entanto só em 1937 quase uma década volvida viria a nascer o novo Éden.

Localização: Praça dos Restauradores

Alvalade (1953 - 1985)


Planta do Cinema Alvalade

Fachada do Cinema Alvalade

Interior do Alvalade

Escadaria principal


(Fotografias e planta retiradas da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian)



O Cinema Alvalade foi inaugurado em 1953 sendo mais um dos gigantes dos anos 50. Projectado pelo arquitecto Lima Franco o interior possuía uma grande escadaria onde se podia apreciar um painel com uma pintura da autoria de Estrela Faria, sendo considerada uma das principais obras da pintora. A sala era composta pela plateia e dois balcões de grande dimensão para servir a população de um bairro em crescimento acelerado. O Cinema Alvalade tinha capacidade para 1580 espetadores. Nos anos 70 após obras de remodelação viu a lotação ser reduzida para 1262 lugares. No início dois anos 80 começou a perder público e acabou por encerrar em 1985. Foi posteriormente comprado por uma religião servindo de igreja até ao ano 2000, quando foi abandonado por ausência de fiéis. Durante 3 anos o edifício esteve ao abandono atingindo níveis de degradação muito acentuados. Em 2003 acabaria por ser demolido, mas o painel de Estrela Faria que tinha sido classificado pelo IPPAR foi guardado, sendo colocado no novo complexo de cinemas que nasceu no mesmo local em 2009.

Localização: Av. de Roma

5.3.10

São Jorge (1950 - Actualidade)


Fachada do São Jorge

Plateia

Interior do Cinema São Jorge

Vista geral do interior do São Jorge

Hall e Bar

Actual sala 1

Actual Sala 2

Actual Sala 3

Planta Original da Plateia

Planta do Balcão


(Plantas e fotografias retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa e da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian)


O Cinema São Jorge foi inaugurado em 1950 e era à data da sua inauguração a maior sala de cinema do país com os seus 1858 lugares. Possuía inovações tecnológicas pouco habituais para a época, designadamente ar condicionado, um sistema central de aspiração interna e um piano eléctrico. O palco acolhia um magnífico órgão de cinema elevatório, ainda hoje recordado com saudade por muitos lisboetas. Em 1982 sofreu obras de remodelação para se adaptar aos novos tempos. Sacrificou-se muito do seu interior para que pudesse ser transformado em 3 salas. No piso térreo ocupando a área da antiga plateia nasceram as salas 2 e 3 e um café-concerto, enquanto no piso 1 nasceu a sala 1 ocupando a área do antigo balcão. Com os seus 848 lugares a sala 1 é ainda hoje a maior sala de cinema de Lisboa em actividade. A sala 2 tem 100 lugares e alberga também o café-concerto e a sala 3 tem 181 lugares. No ano 2000 a C.M.L. exerce o direito de compra do imóvel e procede à renovação e restauro da fachada e interior do edifício. Em 2007 são efectuadas novas obras de restauro. Actualmente o São Jorge recebe regularmente festivais de cinema, ante-estreias, concertos de música e espectáculos de teatro e dança.

Localização: Av. da Liberdade nº 175

28.2.10

Cine-Teatro Monumental (1951 - 1984)

Interior da sala de teatro

Interior da sala estúdio Satélite

A Enorme tela do Monumental

Vista da Praça Duque de Saldanha com o Monumental em plano de destaque

Interior do Cinema Monumental

Cinema Monumental

Vista nocturna do Cinema Monumental

Fachada do Cinema Monumental

Planta do 2º Balcão

Planta da plateia e do 1º balcão

 Interior da sala

 Panorâmica geral

 Interiores do edifício

Átrio do piso 2

 (Fotografias e Plantas retiradas do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa e dos livros "Cinemas de Portugal" ; "As Melhores Fotografias da Lisboa Desaparecida" e "Os Cinemas de Lisboa - Um Fenómeno Urbano do Séc. XX" e Arquivo Fotográfico de arte da Fundação Calouste Gulbenkian)


Inaugurado a 14 de Novembro de 1951, o gigantesco Cine-Teatro Monumental fazia jus ao seu nome. O grandioso projecto do Arquitecto Raul Rodrigues Lima era impressionante não só pela sua dimensão mas também pela imponente decoração dos interiores. No exterior gigantescas estátuas marcavam as esquinas do edifício. O átrio era amplo e um local de passagem e encontro para muita gente, tal como o café-restaurante. Na decoração do interior da sala e das galerias abundavam os lustres e mármores. Entrando na imensa sala a visão era esmagadora perante os impressionantes 2170 lugares que compunham a plateia e os dois balcões. Pensando nas grandes super produções dos anos 50 e 60 foi criado um palco enorme sob o qual ficava a tela por onde passaram todos os grandes clássicos do cinema entre as décadas de 50 e 80. Por lá também passou o teatro e a música. De facto o edifício era tão grande que também albergava uma sala de teatro com uma capacidade inicial de 1848 lugares que viria a ser reduzida para 1182 mais tarde, quando no último piso passou a funcionar uma sala de cinema de pequenas dimensões com o nome de Satélite. O Satélite foi inaugurado a 25 de Fevereiro de 1971 e tinha uma lotação de 234 lugares. Ocupava um espaço onde já tinha existido um salão de chá. Muitos dos grandes nomes dos primórdios da música rock portuguesa passaram pelo palco do Monumental. Na memória de muita gente ficou uma noite a meio dos anos 60 em que os Gatos Negros, a maior banda rock portuguesa na altura, chegaram ao ponto de encherem a Praça do Saldanha, numa altura em que qualquer ajuntamento com mais de cinco pessoas era estritamente proibido. Enquanto uma multidão se juntava na praça, lá dentro milhares de fãs esgotavam por completo o recinto, e Victor Gomes todo vestido de cabedal preto, corria pelo palco de microfone em riste dando os seus famosos saltos à Tarzan levando ao delírio o público. Em 1983 a falta de público que justificasse os custos de manutenção levou ao seu encerramento. Numa manhã de 1984 os lisboetas acordaram sobressaltados enquanto a notícia se espalhava: estavam a demolir o Monumental. As pessoas começaram a acorrer ao local em número cada vez maior e a contestação foi enorme. Ficava claro que a C.M.L. era impotente para travar o poder crescente dos empreiteiros da construção civil sobre os imóveis pertencentes a particulares. A queda do Monumental foi o ponto de partida para que depois dele todos os outros grandes cinemas fossem sendo demolidos um a um. Salvaram-se os que foram classificados à pressa como património nacional ou foram convertidos em teatros ou igrejas. A demolição do Monumental deixou durante muitos anos um trauma, como que assinalando o fim de uma era.

Localização: Praça Duque de Saldanha

26.2.10

Tivoli (1924 - 1989)


Palco do Tivoli

Vista geral do interior do Tivoli
Interior do Tivoli
Fachada do Tivoli

Cine-Teatro Tivoli

Planta original da sala

Planta actual da sala

(Planta Original retirada do Arquivo Municipal de Lisboa)


O Tivoli foi inaugurado em 1924, sendo concebido pelo arquitecto Raul Lino em estilo clássico como um cinema para elites. Tanto no interior como no exterior do edifício o luxo e o requinte foram sempre imagens de marca. A sua capacidade inicial era de 2100 lugares fazendo dele à data o maior cinema da capital. Localizado numa zona central da cidade em plena Av. da Liberdade naquela que era a nova área elegante da capital, foi durante muito tempo o cinema de referência para os sectores "cultos" da cinefilia, sendo igualmente frequentado por várias personalidades do mundo das artes e da cultura. Em 1930 foi equipado com fonocinema e começou a exibir filmes sonoros. A partir dos anos 60 começou a adquirir um carácter mais popular. Na memória de muita gente ficou o filme "Música no Coração" que lá esteve em exibição durante mais de um ano, o que é um recorde notável. No dia 31 de Agosto de 1989 realizou a sua última sessão de cinema. O Tivoli chegou a ser alvo de uma tentativa de demolição do seu interior, mas felizmente prevaleceu o bom senso e acabou por se proceder ao restauro de todo o edifício respeitando a traça original, no entanto a sua capacidade foi reduzida para 1088 espectadores. Reabriu em 1999 funcionando como teatro mas também recebe regularmente concertos e desde então tem prosperado nesta nova função.

Localização: Av. da Liberdade nº 182

25.2.10

Politeama (1914 - 1990)


Vista do interior do Politeama

Interior do Cinema Politeama

Interior do Politeama

Cine-Teatro Politeama

Fachada do Politeama

Planta original

Planta actual do Politeama

(Fotografias e plantas retiradas do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa e do livro "Cinemas de Portugal")


O Politeama foi inaugurado em 1913 como teatro, mas apenas um ano depois começou a exibir filmes, passando deste modo a Cine-Teatro. A sua capacidade inicial era de 1300 lugares. Em 1928 passou a ser exclusivamente cinema. Passou por sucessivas modernizações mas manteve sempre o estilo clássico. Nos anos 90 Filipe La Féria tomou conta do Politeama levando a cabo grandes obras de restauro e modernização com vista à sua reconversão em teatro. Desde então a sua capacidade foi reduzida para 715 lugares por motivos de segurança e maior conforto. Na sua nova vida como Teatro de musicais, o Politeama tem prosperado e voltou a ter o brilho de outrora.

Localização: Rua das Portas de Santo Antão nº 109

17.2.10

Cinema Municipal (1961 - 1971)


Interior do Cinema Municipal

Fachada do Cinema Municipal

Cinema Municipal

Entrada do Cinema Municipal


(Fotografias retiradas do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa)



Em 1961 é inaugurada a nova Feira Popular de Lisboa em Entre-Campos, e com ela o novo Cinema Municipal. Tal como a própria feira, também o cinema é mais moderno e amplo que o seu antecessor. Como havia acontecido com o anterior Cinema Municipal também este cessou a sua actividade após uma década, mas desta vez não com vista à demolição mas sim à conversão em teatro. Em 1972 passou a denominar-se Teatro Vasco Santana, e por lá passaram alguns dos nomes mais importantes do teatro e televisão do nosso país. Recebeu posteriormente obras de ampliação e modernização. Com a criação de novos espaços nasceu o Auditório Ana Bola. Em 2003 e após grande controvérsia a Feira Popular fechou. Todas as diversões, incluindo o Teatro foram fechadas à excepção dos restaurantes que se foram mantendo até serem resolvidos os problemas relativos às indemnizações a serem pagas aos donos dos mesmos. Em 2004 já tinham sido demolidos todos os espaços do recinto que albergara a feira, com excepção dos restaurantes e do teatro. Em 2005 os últimos restaurantes fecham e são demolidos, restando a decisão do que fazer com o edifício do Teatro Vasco Santana. Chegou a ser ponderada a hipótese de inserir o teatro restaurado num novo projecto para a zona, mas em 2006 viria a ser mesmo demolido.

Localização Av. da República

Central (1908 - Actualidade)


Planta do Salão Central

Interior do Salão Central

Palácio Foz, onde se localiza o Salão Central


Salão Central

Fachada do Salão Central

(Fotografias retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa)


Inaugurado em 1908, o Salão Central era na época a sala de cinema mais luxuosa de Lisboa. A sala de cinema foi construída na capela privativa do palácio. A partir de 1917 passou a ter uma orquestra para fazer o acompanhamento musical de todos os filmes. O Salão Central podia acomodar 425 espectadores. Em 1923 o seu número de público tinha decaído devido à abertura de várias salas em diferentes pontos da cidade e acabou por encerrar. Foi recuperado em 1958, passando a albergar as instalações da Cinemateca Portuguesa até 1980, data em que a Cinemateca se mudou para as actuais instalações. A partir dos anos 80 passou a funcionar como Cinemateca Júnior, função que mantém até hoje. A orquestra já não existe mas possui um piano para fazer o acompanhamento dos filmes mudos, aliás como acontece também com as outras salas da Cinemateca. O espaço do agora denominado Salão Foz possui também uma exposição interactiva de pré-cinema denominada "Das Lanternas Mágicas ao Cinematógrafo dos Lumière" onde podemos fazer uma viagem pela história dos primórdios do cinema, desde as sombras de luz aos cinematógrafos. Todos os sábados há sessões de cinema.

Localização: Praça dos Restauradores